segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E a gente começa a lembrar.


Quando a gente menos espera a gente começa a lembrar e em minutos tudo vem à cabeça. Começa a lembrar os motivos que fizeram tudo se perder e você vai percebendo que não é culpado de nada, talvez nem existam culpados. As coisas são assim mesmo, a gente vai se perdendo. É a vida. Então a gente fecha os olhos e lembra do grande amor da nossa vida, aquele que a gente nunca superou. Aquele amor que a gente é obrigado a lutar todo dia 'contra' para poder viver. Sabe de qual amor eu estou falando né? Sim, aquele mesmo... aquele tipo de pessoa que prefere ficar longe de você, não porque ele quer, ele sente falta, mais ele fez questão de aprender. Charme talvez. Preferiu continuar nas mesmas estúpidas idéias, talvez fosse melhor ser orgulhoso do que humano não é mesmo? E depois de minutos buscando lembranças a gente começa a lembrar de como nos sentiamos com ele. E você descobre que saudade para ele se resume em ler um livro, ligar a tv, se distrair e de vez enquando falar um 'oi'. Ai a gente começa a sentir uma dor no peito lembrando e nossos olhos ficam cheios de lágrimas e chegamos a conclusão de que a vida daquela pessoa que a gente tanto ama, a vida daquela pessoa que a gente idolatra deve ser chata pra caramba. Deve ser uma vida triste, vazia. Baladas, bebida, filmes sem nenhuma noção, carro, dinheiro, pensamentos pequenos. E a gente começa a entender o porque você tá aqui, tão longe dele. E a gente continua na brincadeira de lembrar e a gente vai mais fundo, a gente sente que tá sangrando quando começamos a lembrar de todos que foram embora que se afastaram pela distância mais já foram tão importantes e... será que não dá para começar tudo de novo? e a gente tenta acertar, será que não dá? E desesperadamente a gente tenta agarrar na lembrança, fazer a vida parar, para que as pessoas parem de desaparecer. Que bobagem, um dia a gente também vai desaparecer. E a gente aprende que não se pode concertar uma tv quebrada mil vezes, o negócio é comprar outra e ponto. Por mais que doa se desfazer ou por mais que doa deixar as pessoas 'desaparecerem', viver agarrada a elas é viver tendo pesadelos acordada.